O PROBLEMA DE QUEM DECIDE: UMA MÁXIMA DIAGNÓSTICA SOBRE A RESOLUBILIDADE DOS PROBLEMAS ÉTICOS


Sinopse


Por que uma pandemia foi enfrentada em semanas e a fome persiste há séculos, apesar de ambas serem reconhecidas, condenadas e moralmente inegociáveis?

Este artigo recusa as respostas fáceis, falta de recursos, falta de consciência, falta de vontade, e propõe um critério diagnóstico até então ausente da tradição filosófica: um problema ético só é enfrentado sistematicamente quando sua persistência passa a custar mais a quem decide do que sua resolução.

A partir dessa máxima, dialogando com Weber, Marx, Foucault e Arendt, o texto classifica os problemas éticos em três níveis de resolubilidade e revela uma das suas conclusões mais desconfortáveis: o arrependimento, tão valorizado pela tradição moral, funciona estruturalmente como privatização do custo ético, uma válvula que alivia a consciência individual sem jamais tocar a estrutura que produz o problema.

Um convite a abandonar o consolo da indignação e enfrentar a pergunta mais incômoda de todas: quem, exatamente, precisaria pagar o preço para que isso mudasse?


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